O Dia Internacional da Mulher é comemorado hoje, dia 8 de março, data escolhida pelas Nações Unidas desde 1975.
As causas e os fatores de risco de violência contra as mulheres, e as responsabilidades do Estado foram anunciadas com clareza pelo Secretário Geral, num Estudo das Nações Unidas de 9 de outubro de 2006. Ele observou que a violência contra as mulheres tem raízes nas relações estruturais desiguais entre mulheres e homens, o que não se limita a uma cultura, região ou país específico, ou a grupos especiais de mulheres na sociedade. Formas físicas, sexuais, psicológicas e econômicas de violência contra a mulher podem ocorrer numa relação de intimidade, na família, na comunidade, num arranjo do Estado, durante a após conflitos armados.
AS CONDIÇÕES e o DIREITO à AMAMENTAR não são CUMPRIDOS
No que se refere ao aleitamento, a violência manifesta-se, inicialmente, pela exclusão, através de abuso e violência físicos e psicológicos. Ainda bebê, a menina pode receber alimentação inadequada devido à preferência pelos filhos homens, o que pode levar a mãe a reduzir seu período de amamentação, motivada por pressões da família e da sociedade, na esperança de, rapidamente, iniciar uma nova gravidez capaz de resultar num filho do sexo masculino. Além disso, em locais em que é marcante a preferência por filhos homens, meninas com irmãs maiores são mais suscetíveis a negligência quando comparadas a meninos com irmãos mais velhos. Tais práticas negam à criança pequena-menina uma alimentação apropriada e o direito ao aleitamento materno, exclusivo durante seis meses e durante o uso de alimentação complementar, até os dois anos de idade e além desse período, o que é uma recomendação global no que diz respeito à alimentação de crianças pequenas.
MULHERES POR PRESSÃO SOCIAL CHEGAM a SE MUTILAR
E não é só. Atitudes voltadas aos seios femininos vêm sendo modeladas por construções patriarcais da sexualidade, levando a práticas prejudiciais, como aumento das mamas através de cirurgias estéticas, ou o "breast ironing", praticada no Camarão (forma de modificação do corpo feminino, achatando os seios. Mais detalhes em Wikipedia). As atitudes das comunidades podem afetar a auto-estima da menina, sua forma de compreender o corpo, sua auto-imagem, bem como o tratamento dado a ela pela família, amigos e comunidade, como pessoa, normalmente limitando suas opções relativas a uma vida ativa e completa. Quando ocorre comportamento abusivo voltado a seus seios, uma garota pode desenvolver aversão ao toque durante toda a vida, o que é capaz de influenciar sua decisão de amamentar e de estar próxima do filho pequeno ao se tornar mãe. Violência e discriminação contra mulheres de parte das famílias, local de trabalho ou Estado não são interrompidas pelo fato de a mulher estar grávida ou ter dado à luz um filho. Experiências desse tipo causam estresse e ansiedade profundos, capazes de afetar a capacidade da mãe de aleitar o filho. Estresse prolongado pode levar a níveis anormalmente elevados ou baixos de cortisol (hormônio feminino) nas mães, o que pode resultar em supressão da produção de leite ou em seu atraso.
UMA NOVA ATITUDE MASCULINA é ESPERADA durante a LACTAÇÃO
Uma outra barreira ao aleitamento materno com que uma mulher pode se deparar é a idéia do parceiro de que os seios “pertencem” a ele e não a ela ou ao filho de ambos. Uma forma comum de abuso ocorre quando, no local de trabalho, não são feitas combinações que permitam à mãe o direito de amamentar, tendo elas que trabalhar por longas horas, sem qualquer preocupação dos patrões quanto à saúde da mãe ou dos filhos. Em locais em que é forte a concorrência por vagas de trabalho, as fábricas e outros locais comerciais podem se sentir impunes ao negarem a licença-maternidade paga, além de intervalos para que as mães amamentem seus bebês. Esses locais podem ainda despedir as funcionárias que engravidam ou discrimina-las, quando da contratação de mulheres.
ESTADO PRECISA GARANTIR EQÜIDADE de GÊNERO
Levando em conta o impacto das diversas formas de violência contra a saúde de meninas e mulheres e sua opção de aleitar os filhos, a WABA conclama a uma abordagem de vários alcances, envolvendo o Estado, a sociedade civil, a comunidade e a família. Os Estados não podem se dar ao luxo de agir com impunidade em relação a praticantes de violência contra mulheres e meninas; se agirem assim, estarão passando a mensagem clara de que é aceitável ou normal negar justiça às mulheres. Com tal comportamento, eles ainda reforçam as desigualdades estruturais predominantes que mulheres e meninas enfrentam diariamente. Os Estados devem, assim, concretizar esforços para garantir igualdade entre os gêneros e proteger os direitos da mulher. Eles têm que, efetivamente, acabar com as distâncias entre os padrões internacionais e as leis, as políticas e as práticas nacionais. Precisam, com firmeza, corrigir a violência contra as mulheres e exercitar sua liderança para acabar com ela.
POR uma NOVA CULTURA
A sociedade civil precisa engajar-se com seriedade nos esforços governamentais e comunitários para influenciarem as opções das famílias relativas às formas de tratamento de mulheres e meninas. Como comunidade, temos que cuidar dos jovens e esforçarmo-nos, com base em informações, para educar meninos e meninas sobre as experiências fundamentais de vida, como o nascimento, a amamentação e a sexualidade. Os familiares podem fazer coisas simples pelas mães, tais como, dizer a elas que estão se saindo bem como mães, evitar o uso de palavras violentas e abusivas contra elas, realizar as tarefas domésticas enquanto elas amamentam seus bebês, propiciando-lhes um estado mental de relaxamento.
A WABA reitera sua própria posição no sentido de que as mulheres têm direito ao aleitamento, conforme dispõe a Convenção sobre a Eliminação de todas Formas de Discriminação contra Mulheres (Convention on the Elimination of all Forms of Discrimination against Women - CEDAW) e a Convenção sobre os Direitos da Criança (Convention on the Rights of the Child - CRC), e de que todas as formas de violência contra a mulher afetam a amamentação.
Igualdade de gêneros constitui, assim, condição básica para o movimento pelo aleitamento materno.
segunda-feira, 12 de março de 2007
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007
Pai. E agora?
O que passa na cabeça dos homens quando se tornam pais? Na rotina estressante dos primeiros meses da chegada do bebê é quase que uma coisa só: dúvidas
Se a paternidade nos dias de hoje pudesse ser resumida em apenas uma frase, ela seria: "Sim, querida!" Tá certo, a colocação pode parecer piada de mesa de bar (talvez até seja de fato), mas não seria exagero dizer que ela reflete o sentimento de muitos homens quando encaram os primeiros meses da vida do bebê.Pais modernos fazem questão de participar da vida dos filhos, mas a experiência da paternidade de primeira viagem pode ser um pouco frustrante. Após nove longos meses de espera, os homens estão ansiosos por ter alguns momentos exclusivos com o filho - até o nascimento, o contato vivenciado com o bebê se resume a muitos beijinhos, carinhos e conversas coladas à barriga da esposa. E, quando finalmente o rebento chega, a rotina caótica de mamadas, choros na madrugada, cólicas e pedidos de apoio por parte da companheira pode levar muitos homens a questionar o papel de pai.No banco de reservas?"Eu me sentia uma espécie de mordomo afetivo", diz Pedro Luis de Oliveira Zolly, desenhista e pai de duas filhas - Mel, de 2 anos e meio, e Maia, de apenas 10 meses. "Nos primeiros 15 dias a criança chora muito e você tenta fazer de tudo para resolver a situação, mas não sabe direito como agir. Então, o jeito é ficar ali do lado, atendendo a tudo o que a mulher pede. Me sentia impotente. Enquanto ela amamentava, eu tinha a gloriosa tarefa de trocar as fraldas."
Por mais que a situação seja cômica, a verdade é que poucos homens refletem sobre a paternidade antes dela acontecer. "As meninas passam a vida treinando para ser mães. Brincam de casinha, dão mamadeira para a boneca, fantasiam com filhos o tempo todo. A maioria dos homens não faz idéia do que é ser pai. Essa é uma tarefa que vai se concretizando aos poucos", diz Miguel Perosa, professor de Psicologia da PUC-SP.
A ficha do produtor de vídeos Sérgio Gambier caiu aos sete meses de gravidez da esposa. Em meio a uma rotina de trabalho árduo, ele decidiu buscar nos livros informações sobre a nova tarefa que teria de desempenhar dali a dois meses. "Parecia que estava estudando para uma prova. Quando finalmente o Gabriel chegou, tive de improvisar. Recorri muito mais a reações instintivas do que ao conhecimento dos livros", diz. Hoje Gabriel está com 6 meses e, ainda que de improviso, Sérgio percebeu que teria de abrir espaço na vida para exercitar a paternidade. Mudou a rotina de longas noites sem dormir para ficar com o filho todas as manhãs. "Cabe ao pai descobrir momentos de curtição com o filho", diz.
Mas não é só a relação com a criança que mexe com a cabeça dos homens quando se tornam pais. O casamento também passa por muitos questionamentos. O nascimento do bebê impõe uma nova realidade para a vida do casal e, em geral, o homem sente que está perdendo lugar para a criança. "Quando o bebê invade a vida do casal o homem é destituído do trono. As atenções da mãe se voltam exclusivamente para a criança numa relação bastante simbiótica. Isso gera muita insegurança e até a revolta do homem", explica Miguel Perosa. De fato, as mudanças são tantas que há até casos de depressão pós-parto masculina. Uma pesquisa realizada pela Universidade Católica de Pelotas mostrou que 4,1% dos 386 homens entrevistados apresentaram um quadro de depressão de moderada a grave, o mesmo fenômeno que afeta a vida de muitas mulheres.
O designer João Mossad experimentou a reação inversa. Rabugento, ele passou a ter muito bom humor com a chegada de Zion. Só uma coisa não foi capaz de contornar: os estragos causados pelo filho ao horário que, antes, ele curtia com a mulher. Zion, de apenas 2 meses, tem muita dificuldade para dormir e, como está no quarto dos pais, as noites se transformaram em verdadeiras raves embaladas pelo choro da criança. A solução foi radical: João passou a ficar acordado da meia-noite às 4 da manhã com o filho no colo enquanto a mulher descansa. A situação piorou quando o casal tentou transar pela primeira vez depois da chegada do bebê: "O Zion acordou chorando e foi péssimo", conta João.
Casamento redesenhadoA falta de sexo, aliás, é um dos temas que mais incomodam os homens com a chegada do bebê. Durante muito tempo as mulheres simplesmente não querem saber de transar. Em parte por causa da rotina agitada (nos momentos livres, as mulheres preferem descansar a viver momentos tórridos de paixão), em parte pelas modificações no corpo durante o período do puerpério, em parte graças à prolactina: o mesmo hormônio que incentiva a amamentação inibe o desejo sexual. Qualquer que seja a justificativa, a verdade é que os homens ficam extremamente incomodados com a diminuição da vida sexual do casal.Diante de todas essas dificuldades, Pedro Luis teve de renegociar os espaços com a mulher: "Descobrimos juntos que ela teria de desempenhar o papel de mãe, companheira e amante. Ela também se sentia sobrecarregada", diz.Aquele bando de fraldas que ele se queixava de trocar nos primeiros meses da filha até ganhou outro caráter. "Descobri que ajudá-la era uma coisa primordial. É nessas horas que a gente tem de colocar em prática toda a cumplicidade construída ao longo do casamento", diz.
Umas escapadas também ajudam - e não estamos falando de sexo fora do casamento. Praticar atividades que não envolvam a criança pode ser importante para restabelecer a vida a dois. Um chope com os amigos, uma viagem a sós com a mulher, um café na padaria e até conversas que não girem em torno de cocô, mamadas, regurgitadas, leite, sono, chupeta, dor de barriga ou coisa que o valha resultam reconfortantes. "Descobri um prazer enorme em fazer as compras do mês no supermercado", diz Sérgio. Expert em soluções radicais, João decidiu incluir a criança nos programas sociais. Levou o filho a um show da banda de rock metal Bride, no Hangar 110, um reduto underground de São Paulo.Mas se todas essas questões levam os homens a questionar a paternidade, dificilmente elas são suficientes para fazê-los desistir dela. Em geral, essas dúvidas costumam desaparecer no primeiro sorriso dos filhos ou na emoção única de ouvi-los balbuciar pela primeira vez uma palavra que muda para sempre a vida de um homem: papai.
Se a paternidade nos dias de hoje pudesse ser resumida em apenas uma frase, ela seria: "Sim, querida!" Tá certo, a colocação pode parecer piada de mesa de bar (talvez até seja de fato), mas não seria exagero dizer que ela reflete o sentimento de muitos homens quando encaram os primeiros meses da vida do bebê.Pais modernos fazem questão de participar da vida dos filhos, mas a experiência da paternidade de primeira viagem pode ser um pouco frustrante. Após nove longos meses de espera, os homens estão ansiosos por ter alguns momentos exclusivos com o filho - até o nascimento, o contato vivenciado com o bebê se resume a muitos beijinhos, carinhos e conversas coladas à barriga da esposa. E, quando finalmente o rebento chega, a rotina caótica de mamadas, choros na madrugada, cólicas e pedidos de apoio por parte da companheira pode levar muitos homens a questionar o papel de pai.No banco de reservas?"Eu me sentia uma espécie de mordomo afetivo", diz Pedro Luis de Oliveira Zolly, desenhista e pai de duas filhas - Mel, de 2 anos e meio, e Maia, de apenas 10 meses. "Nos primeiros 15 dias a criança chora muito e você tenta fazer de tudo para resolver a situação, mas não sabe direito como agir. Então, o jeito é ficar ali do lado, atendendo a tudo o que a mulher pede. Me sentia impotente. Enquanto ela amamentava, eu tinha a gloriosa tarefa de trocar as fraldas."
Por mais que a situação seja cômica, a verdade é que poucos homens refletem sobre a paternidade antes dela acontecer. "As meninas passam a vida treinando para ser mães. Brincam de casinha, dão mamadeira para a boneca, fantasiam com filhos o tempo todo. A maioria dos homens não faz idéia do que é ser pai. Essa é uma tarefa que vai se concretizando aos poucos", diz Miguel Perosa, professor de Psicologia da PUC-SP.
A ficha do produtor de vídeos Sérgio Gambier caiu aos sete meses de gravidez da esposa. Em meio a uma rotina de trabalho árduo, ele decidiu buscar nos livros informações sobre a nova tarefa que teria de desempenhar dali a dois meses. "Parecia que estava estudando para uma prova. Quando finalmente o Gabriel chegou, tive de improvisar. Recorri muito mais a reações instintivas do que ao conhecimento dos livros", diz. Hoje Gabriel está com 6 meses e, ainda que de improviso, Sérgio percebeu que teria de abrir espaço na vida para exercitar a paternidade. Mudou a rotina de longas noites sem dormir para ficar com o filho todas as manhãs. "Cabe ao pai descobrir momentos de curtição com o filho", diz.
Mas não é só a relação com a criança que mexe com a cabeça dos homens quando se tornam pais. O casamento também passa por muitos questionamentos. O nascimento do bebê impõe uma nova realidade para a vida do casal e, em geral, o homem sente que está perdendo lugar para a criança. "Quando o bebê invade a vida do casal o homem é destituído do trono. As atenções da mãe se voltam exclusivamente para a criança numa relação bastante simbiótica. Isso gera muita insegurança e até a revolta do homem", explica Miguel Perosa. De fato, as mudanças são tantas que há até casos de depressão pós-parto masculina. Uma pesquisa realizada pela Universidade Católica de Pelotas mostrou que 4,1% dos 386 homens entrevistados apresentaram um quadro de depressão de moderada a grave, o mesmo fenômeno que afeta a vida de muitas mulheres.
O designer João Mossad experimentou a reação inversa. Rabugento, ele passou a ter muito bom humor com a chegada de Zion. Só uma coisa não foi capaz de contornar: os estragos causados pelo filho ao horário que, antes, ele curtia com a mulher. Zion, de apenas 2 meses, tem muita dificuldade para dormir e, como está no quarto dos pais, as noites se transformaram em verdadeiras raves embaladas pelo choro da criança. A solução foi radical: João passou a ficar acordado da meia-noite às 4 da manhã com o filho no colo enquanto a mulher descansa. A situação piorou quando o casal tentou transar pela primeira vez depois da chegada do bebê: "O Zion acordou chorando e foi péssimo", conta João.
Casamento redesenhadoA falta de sexo, aliás, é um dos temas que mais incomodam os homens com a chegada do bebê. Durante muito tempo as mulheres simplesmente não querem saber de transar. Em parte por causa da rotina agitada (nos momentos livres, as mulheres preferem descansar a viver momentos tórridos de paixão), em parte pelas modificações no corpo durante o período do puerpério, em parte graças à prolactina: o mesmo hormônio que incentiva a amamentação inibe o desejo sexual. Qualquer que seja a justificativa, a verdade é que os homens ficam extremamente incomodados com a diminuição da vida sexual do casal.Diante de todas essas dificuldades, Pedro Luis teve de renegociar os espaços com a mulher: "Descobrimos juntos que ela teria de desempenhar o papel de mãe, companheira e amante. Ela também se sentia sobrecarregada", diz.Aquele bando de fraldas que ele se queixava de trocar nos primeiros meses da filha até ganhou outro caráter. "Descobri que ajudá-la era uma coisa primordial. É nessas horas que a gente tem de colocar em prática toda a cumplicidade construída ao longo do casamento", diz.
Umas escapadas também ajudam - e não estamos falando de sexo fora do casamento. Praticar atividades que não envolvam a criança pode ser importante para restabelecer a vida a dois. Um chope com os amigos, uma viagem a sós com a mulher, um café na padaria e até conversas que não girem em torno de cocô, mamadas, regurgitadas, leite, sono, chupeta, dor de barriga ou coisa que o valha resultam reconfortantes. "Descobri um prazer enorme em fazer as compras do mês no supermercado", diz Sérgio. Expert em soluções radicais, João decidiu incluir a criança nos programas sociais. Levou o filho a um show da banda de rock metal Bride, no Hangar 110, um reduto underground de São Paulo.Mas se todas essas questões levam os homens a questionar a paternidade, dificilmente elas são suficientes para fazê-los desistir dela. Em geral, essas dúvidas costumam desaparecer no primeiro sorriso dos filhos ou na emoção única de ouvi-los balbuciar pela primeira vez uma palavra que muda para sempre a vida de um homem: papai.
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007
Efeito da evaporação e pasteurização na composição bioquímica e imunológica do leite humano
A alimentação do recém-nascido prematuro não era interesse de muitas culturas, pois as crianças prematuras eram identificadas como fracas ou não viáveis e freqüentemente evoluíam para o óbito. O aprimoramento da assistência neonatal aos recém-nascidos prematuros e a criação das unidades de cuidados intensivos permitiram maior sobrevida a essas crianças, o que impôs maior atenção com sua nutrição e desenvolvimento. A nutrição dessas crianças exerce papel relevante na assistência neonatal, pois é responsável tanto pela sobrevida imediata como pelo crescimento e desenvolvimento a médio e longo prazo. Fórmulas específicas para a criança nascida de muito baixo peso têm sido desenvolvidas para prover as necessidades dessa população, na qual a deficiência de crescimento é comum.
Vários estudos têm demonstrado que o recém-nascido pré-termo alimentado com leite humano não fortificado, depois da alta hospitalar, tem grau de crescimento e massa óssea menor do que crianças alimentadas com fórmula.
Além da preocupação com o crescimento, o efeito do desenvolvimento neural dos prematuros é considerado de particular interesse. Dietas com ácidos graxos poliinsaturados de cadeia longa têm demonstrado efeitos benéficos no início do desenvolvimento. Somente o leite humano provê quantidades adequadas de gordura e ácidos graxos essenciais para o desenvolvimento da criança.
Estudos têm demonstrado que o conteúdo de nutrientes do leite humano não provê quantidades suficientes de proteína, sódio, fosfato e cálcio para manter um crescimento adequado desses recém-nascidos prematuros. Isso tem estimulado o desenvolvimento de novas opções nutricionais para essas crianças, principalmente utilizando o próprio leite humano com o intuito de manter o seu valor biológico.
A diálise e a ultrafiltração foram técnicas utilizadas como métodos de fracionamento e posterior enriquecimento do leite humano; no entanto, são técnicas complexas e exigem equipamentos sofisticados e de alto custo.
A evaporação do leite humano consiste em retirar uma determinada alíquota de água, promovendo a sua concentração. Santos, em 1994, utilizou a técnica de evaporação e, depois, a precipitação e retirada da lactose, a fim de ser utilizado o produto final como aditivo do leite humano.
O leite humano é armazenado nos bancos de leite após pasteurização, que consiste no tratamento térmico e resfriamento rápido do leite humano ordenhado, com o objetivo de inativar 100% dos microorganismos patogênicos e 99,9% da microbiota saprófita.
Conhecendo a importância de manter as propriedades do leite humano na alimentação do prematuro, este estudo teve como objetivo analisar os efeitos dos processos de pasteurização e evaporação do leite humano sobre suas propriedades bioquímicas e imunológicas e sua osmolaridade. Além disso, pretende verificar se a evaporação de 30% de sua água o tornaria um leite mais adequado para suprir as necessidades nutricionais da criança nascida com muito baixo peso.
Com base nas observações sobre as mudanças na composição bioquímica, imunológica e na osmolaridade do leite humano sofridas através dos processos de pasteurização e evaporação, pode-se concluir, analisando as necessidades nutricionais preconizadas para o recém-nascido pré-termo pela Academia Americana de Pediatria23 de 1998 , pelo Comitê de Nutrição da Sociedade Européia de Pediatria e Gastroenterologia24 de 2006 e pelo Comitê de Nutrição da Sociedade Canadense de Pediatria25, que o leite humano pasteurizado e evaporado a 70% pode suprir as necessidades recomendadas para os nutrientes de sódio, potássio, magnésio, proteína, gordura e lactose, mas não atinge a recomendação para cálcio e fósforo.
Novos estudos devem ser realizados para avaliar a possibilidade de aplicação do leite humano pasteurizado e evaporado a 70% do volume inicial, bem como para observar possíveis efeitos sobre o metabolismo e crescimento dos recém-nascidos pré-termo que receberem essa dieta.
Vários estudos têm demonstrado que o recém-nascido pré-termo alimentado com leite humano não fortificado, depois da alta hospitalar, tem grau de crescimento e massa óssea menor do que crianças alimentadas com fórmula.
Além da preocupação com o crescimento, o efeito do desenvolvimento neural dos prematuros é considerado de particular interesse. Dietas com ácidos graxos poliinsaturados de cadeia longa têm demonstrado efeitos benéficos no início do desenvolvimento. Somente o leite humano provê quantidades adequadas de gordura e ácidos graxos essenciais para o desenvolvimento da criança.
Estudos têm demonstrado que o conteúdo de nutrientes do leite humano não provê quantidades suficientes de proteína, sódio, fosfato e cálcio para manter um crescimento adequado desses recém-nascidos prematuros. Isso tem estimulado o desenvolvimento de novas opções nutricionais para essas crianças, principalmente utilizando o próprio leite humano com o intuito de manter o seu valor biológico.
A diálise e a ultrafiltração foram técnicas utilizadas como métodos de fracionamento e posterior enriquecimento do leite humano; no entanto, são técnicas complexas e exigem equipamentos sofisticados e de alto custo.
A evaporação do leite humano consiste em retirar uma determinada alíquota de água, promovendo a sua concentração. Santos, em 1994, utilizou a técnica de evaporação e, depois, a precipitação e retirada da lactose, a fim de ser utilizado o produto final como aditivo do leite humano.
O leite humano é armazenado nos bancos de leite após pasteurização, que consiste no tratamento térmico e resfriamento rápido do leite humano ordenhado, com o objetivo de inativar 100% dos microorganismos patogênicos e 99,9% da microbiota saprófita.
Conhecendo a importância de manter as propriedades do leite humano na alimentação do prematuro, este estudo teve como objetivo analisar os efeitos dos processos de pasteurização e evaporação do leite humano sobre suas propriedades bioquímicas e imunológicas e sua osmolaridade. Além disso, pretende verificar se a evaporação de 30% de sua água o tornaria um leite mais adequado para suprir as necessidades nutricionais da criança nascida com muito baixo peso.
Com base nas observações sobre as mudanças na composição bioquímica, imunológica e na osmolaridade do leite humano sofridas através dos processos de pasteurização e evaporação, pode-se concluir, analisando as necessidades nutricionais preconizadas para o recém-nascido pré-termo pela Academia Americana de Pediatria23 de 1998 , pelo Comitê de Nutrição da Sociedade Européia de Pediatria e Gastroenterologia24 de 2006 e pelo Comitê de Nutrição da Sociedade Canadense de Pediatria25, que o leite humano pasteurizado e evaporado a 70% pode suprir as necessidades recomendadas para os nutrientes de sódio, potássio, magnésio, proteína, gordura e lactose, mas não atinge a recomendação para cálcio e fósforo.
Novos estudos devem ser realizados para avaliar a possibilidade de aplicação do leite humano pasteurizado e evaporado a 70% do volume inicial, bem como para observar possíveis efeitos sobre o metabolismo e crescimento dos recém-nascidos pré-termo que receberem essa dieta.
terça-feira, 30 de janeiro de 2007
PRESAS NÃO TEM DIREITOS e CONDIÇÕES de AMAMENTAR
Estabelecimentos penais destinados a mulheres devem ser dotados de berçários ou creches onde detentas que tenham filhos recém-nascidos possam amamentá-los. Mas as determinações, da Lei de Execução Penal e de outras matérias que asseguram os direitos de presidiárias e crianças deixam de ser respeitadas em mais da metade das unidades prisionais brasileiras.
A conclusão é da assistente social Rosângela Peixoto Santa Rita, coordenadora de ensino da Coordenação Geral de Reintegração Social e Ensino do Departamento Penitenciário Nacional do Ministério da Justiça, em dissertação de mestrado apresentada no Instituto de Ciências Humanas (IHD) da Universidade de Brasília (UnB).
O trabalho analisou a situação de crianças que vivem em 79 presídios em todos os Estados, por meio de questionários enviados às secretarias de administração penitenciária e aos dirigentes de prisões, de outubro a dezembro de 2005.
Rosângela também entrevistou pessoalmente presidiárias no Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. O levantamento, que inclui dados de 9.631 presidiárias, número que representa 75% do total de presas no país, aponta que 289 crianças com até 6 anos de idade eram atendidas nas unidades prisionais avaliadas no período.
O que mais chamou a atenção da pesquisadora foi a estrutura física para o aleitamento materno.
Mais da metade das crianças (59%) ficava em espaços classificados como “outros”, ou berços improvisados dentro das próprias celas das detentas, enquanto 21% estavam em berçários e 19% em creches construídas junto aos presídios.
“As crianças acabam, na prática, ficando presas também, com horários até para banho de sol e muitas vezes sem critérios que garantam o direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas em processo de desenvolvimento, como determina o Estatuto da Criança e do Adolescente”, disse Rosângela à Agência FAPESP. “O foco da permanência dessas crianças junto às mães, que é a garantia do aleitamento materno, é comprometido devido ao ambiente insalubre das celas.” Sem critérios para permanência
Outro dado importante levantado pelo estudo foi que em 63% das unidades prisionais o período de permanência das crianças variou de quatro meses e seis anos. As penitenciárias do estado de São Paulo foram as que registraram a média de período mais curto, enquanto as do Paraná apresentaram o tempo de permanência mais longo.
“São Paulo, que apresenta a maior população carcerária do país, não está de acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde, que prevê o mínimo de seis meses para a amamentação segura”, lembra Rosângela. “Por outro lado, no Paraná as crianças ficam mais tempo, mas em creches separadas do ambiente carcerário. As mães passam parte do dia com os filhos e voltam para as celas.”
Para a pesquisadora, as diferenças no período de permanência demonstram a deficiência das políticas públicas em relação ao assunto. O resultado é que as penitenciárias adotam períodos diferentes, sem levar em conta políticas integradas de saúde e educação.
“Pela falta de políticas penitenciárias que padronizem o período de amamentação, a permanência das crianças passa a ser uma questão de interpretação da direção dos presídios. Infelizmente, essa temática ainda permanece totalmente invisível nas discussões envolvendo entidades governamentais e a comunidade acadêmica”, disse.
Para ressaltar a falta de comprometimento com as particularidades das mães presas, o estudo mostra que quase metade das penitenciárias femininas (47%) funciona junto aos presídios masculinos. “Essas unidades prisionais mistas vão desde celas adaptadas próximas às dos homens até alas exclusivas para as mulheres dentro de complexos masculinos”, conta Rosângela.
A dissertação Mães e crianças atrás das grades: em questão o princípio da dignidade da pessoa humana, defendida em julho de 2006 com orientação da professora Maria Auxiliadora César, teve como referência a Lei de Execução Penal e as Regras Mínimas para Tratamento do Preso, o Estatuto da Criança e do Adolescente, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, a Política de Atenção à Saúde da Mulher e o Plano Nacional de Saúde no Sistema Penitenciário.
A conclusão é da assistente social Rosângela Peixoto Santa Rita, coordenadora de ensino da Coordenação Geral de Reintegração Social e Ensino do Departamento Penitenciário Nacional do Ministério da Justiça, em dissertação de mestrado apresentada no Instituto de Ciências Humanas (IHD) da Universidade de Brasília (UnB).
O trabalho analisou a situação de crianças que vivem em 79 presídios em todos os Estados, por meio de questionários enviados às secretarias de administração penitenciária e aos dirigentes de prisões, de outubro a dezembro de 2005.
Rosângela também entrevistou pessoalmente presidiárias no Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. O levantamento, que inclui dados de 9.631 presidiárias, número que representa 75% do total de presas no país, aponta que 289 crianças com até 6 anos de idade eram atendidas nas unidades prisionais avaliadas no período.
O que mais chamou a atenção da pesquisadora foi a estrutura física para o aleitamento materno.
Mais da metade das crianças (59%) ficava em espaços classificados como “outros”, ou berços improvisados dentro das próprias celas das detentas, enquanto 21% estavam em berçários e 19% em creches construídas junto aos presídios.
“As crianças acabam, na prática, ficando presas também, com horários até para banho de sol e muitas vezes sem critérios que garantam o direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas em processo de desenvolvimento, como determina o Estatuto da Criança e do Adolescente”, disse Rosângela à Agência FAPESP. “O foco da permanência dessas crianças junto às mães, que é a garantia do aleitamento materno, é comprometido devido ao ambiente insalubre das celas.” Sem critérios para permanência
Outro dado importante levantado pelo estudo foi que em 63% das unidades prisionais o período de permanência das crianças variou de quatro meses e seis anos. As penitenciárias do estado de São Paulo foram as que registraram a média de período mais curto, enquanto as do Paraná apresentaram o tempo de permanência mais longo.
“São Paulo, que apresenta a maior população carcerária do país, não está de acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde, que prevê o mínimo de seis meses para a amamentação segura”, lembra Rosângela. “Por outro lado, no Paraná as crianças ficam mais tempo, mas em creches separadas do ambiente carcerário. As mães passam parte do dia com os filhos e voltam para as celas.”
Para a pesquisadora, as diferenças no período de permanência demonstram a deficiência das políticas públicas em relação ao assunto. O resultado é que as penitenciárias adotam períodos diferentes, sem levar em conta políticas integradas de saúde e educação.
“Pela falta de políticas penitenciárias que padronizem o período de amamentação, a permanência das crianças passa a ser uma questão de interpretação da direção dos presídios. Infelizmente, essa temática ainda permanece totalmente invisível nas discussões envolvendo entidades governamentais e a comunidade acadêmica”, disse.
Para ressaltar a falta de comprometimento com as particularidades das mães presas, o estudo mostra que quase metade das penitenciárias femininas (47%) funciona junto aos presídios masculinos. “Essas unidades prisionais mistas vão desde celas adaptadas próximas às dos homens até alas exclusivas para as mulheres dentro de complexos masculinos”, conta Rosângela.
A dissertação Mães e crianças atrás das grades: em questão o princípio da dignidade da pessoa humana, defendida em julho de 2006 com orientação da professora Maria Auxiliadora César, teve como referência a Lei de Execução Penal e as Regras Mínimas para Tratamento do Preso, o Estatuto da Criança e do Adolescente, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, a Política de Atenção à Saúde da Mulher e o Plano Nacional de Saúde no Sistema Penitenciário.
quinta-feira, 25 de janeiro de 2007
Leite materno: fonte de saúde
Na tranqüilidade do parque, a família passeia. Fátima e Alex estão felizes e orgulhosos. Beatriz é a primeira filha, o xodó dos pais. Apressada, ela nasceu um mês antes do previsto. Foi um susto, Mas ganhou peso logo e agora, com seis meses, é um bebe sadio e ativo. Até hoje, Beatriz só se alimentou com o leite da mãe. E mama pra valer. Agora, chegou a hora de experimentar outros sabores.
Fátima vai com a filha ao Instituto Fernandes Figueira (IFF), no Rio de Janeiro. Mãe de primeira viagem, ela tem dúvidas sobre como iniciar essa nova etapa da alimentação. Beatriz primeiro é examinada pela pediatra Marlene Roque e aprovada com louvor. Está esbanjando saúde. E tudo graças ao leite da mãe.
No banco de leite do hospital, descobrimos o que esse alimento tem de tão especial. A engenheira de alimentos Danielle Silva explica que cada mãe produz um leite destinado ao seu bebê. Por isso, ele não corre o risco de ser rejeitado nem provoca problemas de digestão.
"Tem vitaminas, sais minerais, proteínas específicas para o crescimento da criança e fatores de proteção, uma coisa que não se encontra nos outros tipos de leite. Esses fatores de proteção funcionam como uma vacina nos primeiros dias de vida para a criança. São imunoglobulinas – compostos que vão ajudá-la a crescer muito mais saudável", esclarece Danielle.
Beatriz vai continuar mamando no peito, mas vai receber também uma alimentação complementar, que ajudará a desenvolver os dentinhos e os músculos da face. E na estréia desse novo cardápio estão as papinhas de frutas.
"Todas as frutas são ótimas para a criança, não tem nenhuma que faça mal", diz a pediatra.
Se possível, a amamentação deve ser feita até o bebê completar dois anos de idade. Mas atenção: nada de forçar nem o leite nem a papinha. A criança tem as suas preferências e os seus limites. Sabe o que quer e quanto quer. A alimentação nos dois primeiros anos de vida, segundo a médica, é o cartão de visitas da saúde do bebê no futuro.
"Se a criança tiver uma alimentação balanceada nos dois primeiros anos de vida, certamente vai ser um adulto com bons hábitos alimentares, dificilmente vai ter um problema de obesidade, de sobrepeso ou de alterações endócrinas", diz a pediatra.
Beatriz faz sua parte. Enfrenta o primeiro mamão raspadinho com muita classe. E gosta da novidade. Parece que aprendeu bem a lição.
"Pretendo evitar ao máximo esse negócio de lanchinho, essas coisas gordurosas. Comigo vai ser linha dura, por causa da obesidade, que já começou a assustar no Brasil", diz Alex.
"A relação alimentação infantil-obesidade é determinante. Claro que existem as características genéticas. Se a criança tem pais obesos, com traços de obesidade ou família de obesos, a possibilidade de ela ter obesidade é muito maior. Se você amenizar isso com uma alimentação correta, com exercícios e mudança de hábitos, vai ter uma criança com a possibilidade de ser um adulto com peso normal no futuro", explica a pediatra.
MAIS INFORMAÕES:
- Banco de Leite do Instituto Fernandes Figueira SOS Amamentação: 0800-268877
- Para doar leite materno ou receber orientação sobre amamentação, envie um e-mail para redeblh@fiocruz.br
Fátima vai com a filha ao Instituto Fernandes Figueira (IFF), no Rio de Janeiro. Mãe de primeira viagem, ela tem dúvidas sobre como iniciar essa nova etapa da alimentação. Beatriz primeiro é examinada pela pediatra Marlene Roque e aprovada com louvor. Está esbanjando saúde. E tudo graças ao leite da mãe.
No banco de leite do hospital, descobrimos o que esse alimento tem de tão especial. A engenheira de alimentos Danielle Silva explica que cada mãe produz um leite destinado ao seu bebê. Por isso, ele não corre o risco de ser rejeitado nem provoca problemas de digestão.
"Tem vitaminas, sais minerais, proteínas específicas para o crescimento da criança e fatores de proteção, uma coisa que não se encontra nos outros tipos de leite. Esses fatores de proteção funcionam como uma vacina nos primeiros dias de vida para a criança. São imunoglobulinas – compostos que vão ajudá-la a crescer muito mais saudável", esclarece Danielle.
Beatriz vai continuar mamando no peito, mas vai receber também uma alimentação complementar, que ajudará a desenvolver os dentinhos e os músculos da face. E na estréia desse novo cardápio estão as papinhas de frutas.
"Todas as frutas são ótimas para a criança, não tem nenhuma que faça mal", diz a pediatra.
Se possível, a amamentação deve ser feita até o bebê completar dois anos de idade. Mas atenção: nada de forçar nem o leite nem a papinha. A criança tem as suas preferências e os seus limites. Sabe o que quer e quanto quer. A alimentação nos dois primeiros anos de vida, segundo a médica, é o cartão de visitas da saúde do bebê no futuro.
"Se a criança tiver uma alimentação balanceada nos dois primeiros anos de vida, certamente vai ser um adulto com bons hábitos alimentares, dificilmente vai ter um problema de obesidade, de sobrepeso ou de alterações endócrinas", diz a pediatra.
Beatriz faz sua parte. Enfrenta o primeiro mamão raspadinho com muita classe. E gosta da novidade. Parece que aprendeu bem a lição.
"Pretendo evitar ao máximo esse negócio de lanchinho, essas coisas gordurosas. Comigo vai ser linha dura, por causa da obesidade, que já começou a assustar no Brasil", diz Alex.
"A relação alimentação infantil-obesidade é determinante. Claro que existem as características genéticas. Se a criança tem pais obesos, com traços de obesidade ou família de obesos, a possibilidade de ela ter obesidade é muito maior. Se você amenizar isso com uma alimentação correta, com exercícios e mudança de hábitos, vai ter uma criança com a possibilidade de ser um adulto com peso normal no futuro", explica a pediatra.
MAIS INFORMAÕES:
- Banco de Leite do Instituto Fernandes Figueira SOS Amamentação: 0800-268877
- Para doar leite materno ou receber orientação sobre amamentação, envie um e-mail para redeblh@fiocruz.br
quinta-feira, 18 de janeiro de 2007
Vigilância Sanitária monitora propaganda em alimentos infantis
Profissionais da Superintendência de Vigilância Sanitária e Ambiental (Svisa) da Secretaria de Estado da Saúde, em parceria com técnicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Goiás, estão realizando uma importante iniciativa com o objetivo de proteger, promover e apoiar o aleitamento materno. No dia 2 de maio, teve início o 1º Monitoramento da Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças da Primeira Infância, Bicos, Mamadeiras e Chupetas. A ação, realizada em nível nacional, prossegue até 2 de julho.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de vida e com a introdução de outros alimentos até os 2 anos. A coordenadora de Alimentos da Svisa, Márcia Regina de Moura Dias, destaca que a veiculação de propagandas de alimentos e de outros produtos infantis nos meios de comunicação ou mesmo por meio de folders, cartazes e outdoors, entre outros, atua na contramão dessa recomendação, pois muitas vezes desestimula as mães a amamentar os seus filhos.
A Portaria 2.051 do Ministério da Saúde, de 8/11/2001, proíbe a promoção comercial em fórmulas infantis para lactentes, em fórmulas infantis de segmento para lactentes, em fórmulas de nutrientes indicadas para recém-nascidos de alto risco e em mamadeiras, bicos, chupetas e protetores de mamilos.
Conforme Márcia Dias, as equipes vão percorrer estabelecimentos comerciais, serviços de saúde, jornais e emissoras de rádio e televisão para fiscalizar se há a veiculação da propaganda.
Entre os estabelecimentos comerciais que estão sendo fiscalizados estão farmácias, drogarias, supermercados, lojas de 1,99 e lojas especializadas em artigos infantis. Os serviços de saúde priorizados pelas equipes são hospitais, maternidades públicas e privadas, consultórios médicos de pediatria e consultórios de orientação nutricional.
A coordenadora de Alimentos da Svisa assinala que os estabelecimentos onde forem constatadas irregularidades serão notificados e posteriormente proibidos de veicularem as propagandas.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de vida e com a introdução de outros alimentos até os 2 anos. A coordenadora de Alimentos da Svisa, Márcia Regina de Moura Dias, destaca que a veiculação de propagandas de alimentos e de outros produtos infantis nos meios de comunicação ou mesmo por meio de folders, cartazes e outdoors, entre outros, atua na contramão dessa recomendação, pois muitas vezes desestimula as mães a amamentar os seus filhos.
A Portaria 2.051 do Ministério da Saúde, de 8/11/2001, proíbe a promoção comercial em fórmulas infantis para lactentes, em fórmulas infantis de segmento para lactentes, em fórmulas de nutrientes indicadas para recém-nascidos de alto risco e em mamadeiras, bicos, chupetas e protetores de mamilos.
Conforme Márcia Dias, as equipes vão percorrer estabelecimentos comerciais, serviços de saúde, jornais e emissoras de rádio e televisão para fiscalizar se há a veiculação da propaganda.
Entre os estabelecimentos comerciais que estão sendo fiscalizados estão farmácias, drogarias, supermercados, lojas de 1,99 e lojas especializadas em artigos infantis. Os serviços de saúde priorizados pelas equipes são hospitais, maternidades públicas e privadas, consultórios médicos de pediatria e consultórios de orientação nutricional.
A coordenadora de Alimentos da Svisa assinala que os estabelecimentos onde forem constatadas irregularidades serão notificados e posteriormente proibidos de veicularem as propagandas.
Direitos trabalhistas
A legislação brasileira é uma das mais avançadas na proteção materno-infantil. A Constituição Federal ampliou para 4 meses a licença maternidade. A CLT assegura o direito à creche e dois descansos especiais, de meia hora cada um, até o bebê completar 6 meses. O Estatuto da Criança e do Adolescente também garante o direito da criança quanto ao alojamento conjunto e ao aleitamento. Apresento agora um resumo destas principais conquistas:
Licença maternidade
Licença maternidade
À empregada é assegurada licença de 120 dias consecutivos, sem prejuízo do emprego e da remuneração, podendo ter início no primeiro dia do nono mês de gestação, salvo antecipação por prescrição médica.
(Constituição Federal – artigo 7º inciso XVIII)
(Constituição Federal – artigo 7º inciso XVIII)
Direito à garantia no emprego
É vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa da mulher trabalhadora durante o período de gestação e lactação, desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto.
(Ato das disposições constitucionais transitórias - artigo 10 – inciso II, letra b)
(Ato das disposições constitucionais transitórias - artigo 10 – inciso II, letra b)
Direito à creche
Todo estabelecimento que empregue mais de trinta mulheres com mais de 16 anos de idade deverá ter local apropriado onde seja permitido às empregadas guardar sob vigilância e assistência os seus filhos no período de amamentação.
Essa exigência poderá ser suprida por meio de creches distritais mantidas, diretamente ou mediante convênios, com outras entidades públicas ou privadas como SESI, SESC, LBA, ou de entidades sindicais.
(Consolidação das Leis do Trabalho – artigo 389 – parágrafos 1º e 2º)
Essa exigência poderá ser suprida por meio de creches distritais mantidas, diretamente ou mediante convênios, com outras entidades públicas ou privadas como SESI, SESC, LBA, ou de entidades sindicais.
(Consolidação das Leis do Trabalho – artigo 389 – parágrafos 1º e 2º)
Pausas para amamentar
Para amamentar o próprio filho, até que este complete seis meses de idade, a mulher terá direito, durante a jornada de trabalho, a dois descansos especiais, de meia hora cada um. Quando exigir a saúde do filho, o período de seis meses poderá ser dilatado a critério da autoridade competente.
(Consolidação das Leis do Trabalho – artigo 396 – parágrafo único).
(Consolidação das Leis do Trabalho – artigo 396 – parágrafo único).
"15 dias" para aleitamento não existe
Quando há algum problema de saúde com a puérpera, pode-se prorrogar a licença maternidade por duas semanas, de conformidade com o que dispõem o parágrafo 1o. do Art.: 392 da CLT e o Art. 3o. do Decreto no. 75.207/75.
Muitos pediatras, consideramos o desmame precoce um problema de saúde, e costumamos dar um atestado, contudo, nem todas as empresas o aceitam.
Muitos pediatras, consideramos o desmame precoce um problema de saúde, e costumamos dar um atestado, contudo, nem todas as empresas o aceitam.
6 meses de licença é a meta
A SBP e a OAB, junto com a Senadora Patricia Saboya, estão em campanha para a ampliação da licença-maternidade de 4 para 6 meses, como já comentei aqui no blog. Será uma licença facultativa, onde cada mulher pode pleitea-la na empresa, e esta é favorecida com alguns incentivos fiscais. Muitas cidades e alguns estados do país já decretaram este direito às suas funcionárias públicas. No Rio de Janeiro, desde a década de 80, as nutrizes do setor público estadual e municipal têm 4 meses prorrogáveis, mês a mês, se estiverem amamentando, até completarem 7 meses.
Começa a ser reconhecido o trabalho reprodutivo feminino como um benefício social.
Vamos nos mobilizar para a ampliação destas conquistas?
Vamos nos mobilizar para a ampliação destas conquistas?
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